Desde que foi nomeada Ministra da Cultura, Ana de Hollanda é categorizada como Ministra do ECAD em decorrência da remoção da licença Creative Commons do site do MINC; que, também, foi categorizado como MINC-ECAD.

A turma da Cultura Digital passa de ser oportunista para ser caluniadora. Por sua vez os defensores do Governo Federal, em especial da Ministra Ana de Hollanda, se prestam ao papel de anacrônicos e esquizofrênicos por afirmarem que a licença CC é algo imperialista. Sobre essa afirmativa nenhuma linha a mais deve ser escrita.

A Cultura Digital e o Creative Commons são reformistas por tentarem concilharem um novo modelo de negócio baseado no fim dos direitos autorais como conhecemos, mais especificadamente o fim do pagamento de royalty aos artistas. Se justificam de duas formas: 1) os artistas não recebem nada das gravadoras/editoras/estúdios/majors, enfim, da indústria cultural – fica elas por elas; 2) o compartilhamento de arquivos na internet é uma forma de acesso a cultura, a socialização dos bens simbólicos.

As presentes justificativas devem ser questionadas e combatidas no que diz respeito a: 1) ao caráter reformista do CC e o oportunismo da Cultura Digital: 2) a questão por de trás da indústria cultural e do pagamento dos royalty é um componente elementar no sistema capitalista, a propriedade privada; 3) qualquer justificativa e/ou discussão que excluí a questão da propriedade privada dos bens culturais é oportunista e pode ser até reacionária; 4) a dita socialização dos bens simbólicos em questão são os produtos da indústria cultural, que se tornam centro de disputa dentro do famigerado capitalismo contemporâneo, o que pode ser uma falsa questão – devemos disputar essa cultura ou essa indústria cultural?

MINC, ECAD e Cultura Digital são, no final das contas e dos contras, a mesma coisa. Ambos buscam uma reforma da dita cadeia produtiva da cultura, se é que ela deva existir ou existe no Brasil. Por que não falam sobre o copyleft ou as licenças GPS, que deram origem ou inspiraram o Creative Commons? Porque a questão posta é a reforma do direito autoral, excluindo-se a discussão sobre a propriedade privada de bens simbólicos (direito autoral, patente).

A convergência digital não libera os meios de produção de bens simbólicos, apenas barateia os seus bens de capitais.  A cadeia produtiva da economica criativa, como conhecemos, baseada no suporte offline já era. Financiar publicamente um livro ou quebrar a patende de um remédio não significa o barateamento do preço. O vale cultura pode se converter em uma experiência fálida como se tornaram os genéricos – outra medida oportunista que se tornou reacionária.

Compartilhamento de informação nem sempre é a mesma coisa que compartilhamento de conhecimento. Detesto o termo compartilhamento,como vem sendo adotado. A questão é a troca de informação, ideias, experiências, conhecimento.

Sobre as calúnias  e boatarias, segue uma troca de ideias entre Marcelo Branco (dinossauro do TI e da Cultura Digital) e Vitor Ortiz (um dos secretários do categorizado “MINC-ECAD”):

Apenas informando que, na legislação atual (códico civil) pra divulgar essa informação acabo de violar, em partes, a privacidade dos citados.