O que dizer sobre os anúncios feitos pela Direção da FAP – Faculdade de Artes do Paraná, na figura dos professores Stela Maris e Ângelo Sangiovanni?

Em reunião marcada de forma sigilosa com os professores titulares (efetivos e substitutos) do curso de cinema, por volta de duas semanas atrás, a direção anunciou que para 2012 a FAP não teria orçamento para arcar com os convênios do CINETVPR (programa de governo instituído pelo decreto 4968/2005), que permitia a contratação de professores convidados, do translado Curitiba/Pinhais e dos técnicos tercerizados para as atividades do curso de cinema.

A FAP nunca foi aberta ao projeto. Antes o problema era atriz Ittala Nandi, que geriu o projeto de meados de 2005 até o início de 2008; posteriormente a crítica foi mais moralista e menos política, pautando que o projeto só atendia um único curso e que a instituição foi usada sem uma devida contrapartida – até agora a crítica menos passional. No segundo semestre de 2010 o discurso era a institucionalização do projeto pela UEPR e FAP, justificado pelo resultado das eleições onde o grupo político opositor iria assumir o executivo estadual e dificilmente o projeto seria continuado. Para se entender esse contesto assista o depoimento de Hernani Heffner.

Em 2011 se inicia uma transição não-traumática com a perspectiva da FAP assumir todas as competências e orçamentos do projeto e a substituição progressiva dos professores convidados por concursados, conforme o informe da Coordenação do Curso. Até então, a mais sagaz tática de institucionalização do CINETVPR pela FAP. Em reunião ocorrida no final do primeiro semestre do presente ano, o próprio nome foi assimilado pelo Colegiado, designando CINETV como Campus de Cinema e TV da FAP, em Pinhais. Nesse data seria possível, anos mais tardes, o início do fim do CINETVPR.

Na nova tese da FAP, até então repercutida nas mídias sociais pelos discentes, para o ano de 2012 o curso deve ser gerido pelo restrito número de professores titulares da instituição, não se teria garantia dos convênios para os técnicos e para o ônibus. Ou seja, o curso estaria pilhado logisticamente (sem acesso) e academicamente (poucos professores). A justificativa seriam os cortes de verba e a descontinuidade do projeto e a revogação do decreto.

Entretanto, ao analisar o orçamento para 2012 da SETI e o PDI – Plano de Desenvolvimento Institucional, os dados diferem totalmente do que fora anunciado e da crise que se tenta anunciar. Nos próximos anos a verba destinada as atividades do CINETVPR quase que dobraram, tanto a SETI e o Governador Beto Richa, segundos esses documentos, não parecem descontinuar os convênios. Vide a página 271, 287 e 288 do Projeto de Lei do Orçamento para 2012; ou o que diz no Plano Plurianual de 2012-2015 na página 90. É só localizar as cifras procurando por “cinetvpr” no localizador do leitor de PDF. Existe até a indicação da construção de 600 m2 de estúdio e demais instalações.

Justificativa:

“Impulsionar o desenvolvimento do Estado do Paraná, mediante a produção de conhecimento científico e inovação tecnológica alinhada com os esforços dos demais setores do governo para apoio financeiro e institucional; melhorar a qualidade do ensino superior estadual, consolidando a excelência no ensino de graduação, pós-graduação, pesquisa e extensão e cooperação técnico-científica, investindo na infraestrutura, na qualificação do corpo docente e de agentes universitários.”

A Direção da FAP, pelo seu ato comissivo, e a Coordenação do Curso de Cinema, pelo seu ato omissivo no que se refere a resolução ao “problema” podem por a perder não só o curso de cinema, mas a guarda do mesmo na FAP. Na contradição instaurada pela a Diretora da FAP, duas tendências começam a se esboçar: a) o total sucateamento do curso de cinema e o seu possível fim; b) a perda da guarda do curso por parte da FAP e a criação de uma faculdade de cinema e TV dentro da UNESPAR.

Além disso, o anúncio de um novo regulamento para os aparelhos culturais e laboratório práticos da FAP não dá melhores horizontes para o curso de cinema e para os demais cursos da faculdade, dado o rumo que a discussão toma e o crescente mandonismo instalado – onde os discentes terão um acesso ainda mais reduzido as instalações, ficando a mercê da disposição de docentes disponíveis para operarem os locais. Me pergunto, onde fica a arte nesse embrolho administrativo?