O oportuno anúncio oficial: Conselho Estadual da Cultura está completo

A forma como foi realizada eleição do CONSEC – Conselho Estadual de Cultura do Paraná, bem como a sua reformulação durante o Governo Beto Richa (2010-2014), demonstra o quanto a política cultural nesse estado é atrasada, rarefeita e afeita aos humores momentâneos do jogo político local.

O discurso oficial é de reestruturação e de criação dos instrumentos necessários para o funcionamento da Secretaria de Estado da Cultura, além de propiciar o diálogo com a classe artística. Porém, o que se tem testemunhado é a transferência das práticas neoliberais da FCC – Fundação Cultural de Curitiba para o âmbito estadual e a consolidação do mesmo grupo de artistas oficiais – em processo de depuração – direcionando as políticas públicas culturais do Paraná, para proveito próprio. Além disso, o CONSEC pode, infelizmente, ser um mero aparelho para referendar as políticas já decididas pelo grupo dominante ou uma mera forma de ingresso formal no SNC – Sistema Nacional de Cultura para conseguir as verbas do Ministério da Cultura.

Diferente da política cultural ou pior, da antipolítica, comum a cidade de Curitiba e seus coronéis – os artistas oficiais –, no âmbito estadual a coisa é mais embaixo por dois motivos: (i) a Secretaria Estadual de Cultura não é uma Fundação Cultural do Paraná como muitos pensam; (ii) as desigualdades e diferenças regionais acabam travando qualquer tentativa de homogenização ou mesmo concentração das ações da SEEC na cidade de Curitiba.

A apressada e equivocada implementação do CONSEC sem tempo hábil para o debate democrático, atropelando a agitação política feita pela classe artística em 2010, revela o caráter centralizador da gestão atual. Centralizador não só na gestão, como na concentração dos espaços colegiados nas mãos de um pequeno grupo de coronéis da cultura. O exemplo mais recente foi a eleição suplementar para a cadeira de audiovisual, onde se ratificou a condução da atual responsável pela Cinemateca de Curitiba e demais ações no âmbito do cinema e audiovisual de Curitiba, ou seja, uma gestora cultural do executivo municipal, para ocupar uma cadeira destinada a sociedade civil.

O subterfúgio para tal indicação se calcou na forma excêntrica de contratação utilizada pela Prefeitura de Curitiba para uma atribuição de cargo comissionado. Sobre essa indicação, eu tentei protocolar um requerimento junto ao CONSEC e o mesmo não foi dado provimento pelos responsáveis. Ainda não tive uma resposta formal se o requerimento foi deferido ou indeferido. A única coisa que eu sei é que o problema apresentado não se encerrou no último sábado e deve revelar mais equívocos da gestão cultural aplicada na FCC e na SEEC-PR, bem como se processa a rede de influência e os conchavos do grupo de artistas oficiais que operam na seara cinematográfica.

Mais informações em: Carta Aberta de Desfiliação da AVEC – ABD/PR | TAKE 5: Andre Wlodarczyk | TAKE 5: Dennison de Oliveira