Obs.: Socializando uma conversa que chegou no meu e-mail agora.

cinematecabrasileira-logopica

Abaixo, debate que está ocorrendo na lista CNCdialogo – CNCdialogo@yahoogrupos.com.br
É a principal lista nacional sobre cineclubismo.

Para participar, entre em contato com: Aléxis Góis – comunicacaocnc2013@cineclubes.org.br ou alexisgois@gmail.com; Carol Paraguassu – comunicacaoadjcnc2013@cineclubes.org.br ou carolina.paraguassu@gmail.com

abs,
Rodrigo.

From: Frederico Cardoso
Sent: Tuesday, April 23, 2013 2:39 PM
To: ascine-rj@googlegroups.com
Cc: CNC Diálogo ; circuito rj ; pdcrjes@yahoogroups.com
Subject: [CNCdialogo] A Pseudo-Crise da Cinemateca Brasileira

André e demais.

Numa leitura mais atenta, fico sem saber exatamente a motivação dos autores e assinantes do texto.

A SAC, como a ONG com certificado de OSCIP, é mera administradora de recursos públicos, neste caso da Cinemateca, oriundos do MinC, para execução de programas e projetos de governo.

Durante a gestão anterior à que se inicia agora, restaram poucos quadros de servidores. Imaginem servidores qualificados para um trabalho dentro da Cinemateca (os funcionários da SAC são da área administrativa).

Sim, pois a imensa maioria era de prestadores de serviço qualificados de cinema e audiovisual vinculados à SAC, algo que deveria ser uma medida temporária e paliativa, mas que se tornou a regra, a solução definitiva.

Meu avô dizia que quando algo vai mal, “antes de melhorar, dá uma sensação de piora” (diria eu, principalmente naqueles que não querem enxergar todo o contexto).

Lendo os plano da atual gestão da SAv para a Cinemateca (abaixo copio este e os demais planos, apresentados no RioContentMarket e durante a Mostra do Filme Livre, entre outras ocasiões), fica muito difícil entender o que exatamente defendem os assinantes e autores do manifesto.
Me parece que defendem a manutenção da relação MinC / SAC (MinC e uma ONG que, apesar de não ser uma qualquer, é uma, assim como outras tantas que, assim como a SAC poderiam administrar tão bem ou (dependendo da situação) até melhor que a SAC.

Acho isso estranho.

ABAIXO, O RESUMO DO PLANO DA SAV ANUNCIADO

CTAV CENTRO TÉCNICO AUDIOVISUAL
– FORMAÇÃO E PRODUÇÃO AUDIOVISUAL
NPDs + CENTROS DE FORMAÇÃO DE EXCELÊNCIA NACIONAL E INTERNACIONAL
– REDE CINECLUBISTA DE CEUS DAS ARTES
CAPACITAÇÃO + CATÁLOGO PROGRAMADORA BRASIL
– PROGRAMADORA BRASIL
CATÁLOGO + CIRCUITO EXIBIDOR NÃO COMERCIAL + PRÊMIO ADICIONAL DE PÚBLICO

CINEMATECA BRASILEIRA
– PLANO NACIONAL DE PRESERVAÇÃO AUDIOVISUAL
PROSPECÇÃO DE ACERVOS REGIONAIS REDE DE CINEMATECAS BRASILEIRAS
– DIFUSÃO E APOIO À PESQUISA
DIGITALIZAÇÃO E DUPLICAÇÃO DE CONTEÚDOS ACESSO PARA PESQUISADORES PUBLICAÇÕES E MOSTRAS
– DIFUSÃO INTERNACIONAL
PROMOÇÃO DO AUDIOVISUAL BRASILEIRO

PARA AS DUAS CASAS: CONCURSO PÚBLICO = PESSOAL QUALIFICADO

EDITAIS
– AFIRMATIVOS
SISTEMA MINC + MINISTÉRIOS PARCEIROS
– TELEVISIVOS
DOCTV + ANIMATV + REVELANDO OS BRASIS + CURTA CRIANÇA + CURTA CRIANÇA ANIMAÇÃO
– TRADICIONAIS
BAIXO ORÇAMENTO + DOC LONGA + CURTA + PESQUISA ACADÊMICA + DESENVOLVIMENTO DE ROTEIROS
– PESQUISA E INOVAÇÃO
INCUBADORA + GAMES + PESQUISA DE LINGUAGEM + ARRANJOS PRODUTIVOS LOCAIS

AQUI, A ÍNTEGRA DO TEXTO A FAVOR DA SAC E/OU CINEMATECA
A Cinemateca Brasileira, fundada há mais de 60 anos por intelectuais e amantes do cinema, passou ao Governo Federal em 1984. Desde então vem desenvolvendo de forma regular sua vocação de preservar a memória audiovisual, tendo atingido um nível de excelência reconhecido em âmbito nacional e internacional.

Ao longo do tempo, a sua precariedade institucional foi compensada pelo apoio decisivo da SAC – Sociedade Amigos da Cinemateca, criada em 1962, configurando uma parceria público-privado, que se tornou uma das marcas valiosas de seu sucesso.

Nos últimos meses, a Cinemateca vem enfrentando dificuldades que colocam em risco sua missão institucional. A interrupção dos projetos apoiados pela Sociedade Amigos da Cinemateca acarretou a dispensa de mais de 50 trabalhadores, alguns deles com vínculos muito antigos com a Cinemateca. Essa mão de obra, treinada por mais de 20 anos é indispensável para a instituição, não pode ser simplesmente descartada, sob pena de não ser jamais reposta.

Em vista da urgência da situação, vimos apelar à Ministra da Cultura Marta Suplicy para que, independentemente de reformulações que venha a promover na instituição, determine o fim da intervenção da Secretaria do Audiovisual na Cinemateca Brasileira e restabeleça os canais de entendimento com a SAC, visando a retomada imediata dos trabalhos regulares, o reaproveitamento dos quadros qualificados e, em última instância, a preservação da própria integridade da memória audiovisual brasileira.

======================================================================

Abraços,

Frederico Cardoso

Em 22/04/2013, às 14:44, Frederico Cardoso escreveu:

o problema do alarmismo é que sempre presta desserviço.
vejam neste link aqui: http://revistapiaui.estadao.com.br/blogs/questoes-cinematograficas/geral/cinemateca-brasileira-ainda-ha-tempo

repercute e não discute.

do que estão falando afinal?

o antigo gestor da Cinemateca era bem reto e direto ao tratar com os profissionais vinculados a projetos, programas e tais.
ele dizia que não era um emprego, mas prestação de serviços por tempo determinado (ou seja, enquanto o projeto/programa existisse – alguns tiveram vida curta, como o Olhar Brasil, por exemplo, outros como a Programadora Brasil e o C+C duraram mais (Programadora, pelo que se sabe, em reformulação), o Banco de Conteúdos, … e ninguém ficou por aí reclamando e esperneando.
e a então secretária falou junto com ele exatamente a mesma coisa quando estava pra ser encerrado o contrato com a equipe do C+C.

mas o que eu acho mais importante é que se o movimento cineclubista não se posicionar, vai acabar indo à reboque de quem se posiciona (vejam os assinantes do tal manifesto do link do escorel).

abraços,

Frederico Cardoso
21 2221-2832
21 8721-8514
fc@cidadela.art.br
skype: carderico

Em 22/04/2013, às 14:20, andré sandino costa sandino escreveu:

Também acho que tem um certo alarmismo , antes do encontro do CNC com a Sav já se falava em um possível abando dessa gestão com relação aos cineclubes .Particularmente penso que nem tanto a terra nem tanto ao mar . E sobre os demitidos , acho que vale analisar caso a caso , afinal 20 é muito tempo e as vezes é preciso chacoalhar a poeira que acumula com o passar dos anos .

Em 22 de abril de 2013 14:09, Frederico Cardoso <fc@cidadela.art.br> escreveu:
Caros,
Abaixo um trecho da coluna da Mônica Bergamo, Folha de SP.
Sabemos muito bem como a gestão anterior da SAv tratou o cineclubismo.
Sufocou internamente programas relacionados e não dialogou com o movimento, a não ser em poucas reuniões sem resultado algum.
Aquela da POA, com Gleciara, Cassol e Saskia (pelo skype, se não me engano), por exemplo, contava inclusive com a participação do então diretor da Cinemateca Brasileira e nada aconteceu depois da ocasião.

Agora, a atual diretoria do CNC já teve agenda com o atual secretário do audiovisual e nos trouxe boas novas em relato aqui nas listas – temos a regulamentação da IN 63, o prêmio de público e o vale cultura para cineclubes e pontos de cultura na pauta da SAv, além da Jornada, entre outras coisas.

Sei não, mas acho que não podemos deixar comer solto o alarmismo por conta de uma demissão (a única que de fato aconteceu – do Carlos Magalhães).

Os “desligamentos” que a colunista comenta são tão somente projetos que se encerraram e nenhum dos profissionais era contratado pela Cinemateca (a SAC sempre pilotou a gestão dos projetos ligados à Cinemateca – e quem é servidor público permanece lá).

Acho que o movimento cineclubista pode e deve dar um foco neste assunto.

Abraços,
Frederico Cardoso
21 2221-2832
21 8721-8514
fc@cidadela.art.br
skype: carderico

Cineastas questionam mudanças na Cinemateca depois de Marta assumir Cultura

ALÔ, MARTA
Cineastas e intelectuais de todo o Brasil estão preparando um abaixo-assinado manifestando sua preocupação em relação às mudanças na Cinemateca Brasileira. Mais de duas dezenas de funcionários com mais de 20 anos de serviço foram desligados do órgão depois que Marta Suplicy assumiu o Ministério da Cultura.

PESO PESADO
Encabeçam as assinaturas o crítico literário Antonio Candido e a escritora Lygia Fagundes Telles. Do cinema assinam o produtor Luiz Carlos Barreto e os diretores Hector Babenco, Fernando Meirelles, Cao Hamburguer, Carlos Alberto Riccelli e André Klotzel, entre outros.

GAVETA
Hector Babenco protestou contra as mudanças na Cinemateca na semana passada, na reunião do prefeito Fernando Haddad com cineastas em SP. Disse que se sentiu como se sua própria casa tivesse sido invadida.



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André Sandino
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Representante Institucional Ascine-RJ (Nov/2012-Nov/2013)

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Skype a.sandino11
Coordenador do Cineclube Beco do Rato /Festival Ratoeira

Cidadela , Arte , Cultura e Cidadania
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One thought on “A pseudo-crise da Cinemateca Brasileira

  1. Prezados,

    Esclareço alguns pontos tratados de forma equivocada nas mensagens de Frederico Cardoso, independentemente de posicionamentos políticos ou da compreensão acerca do programa de preservação e difusão que efetivamente se implantava, desde o início dos anos 2000, na Cinemateca Brasileira:

    1. A Sociedade Amigos da Cinemateca não é uma ONG, e sim uma OSCIP – Organização Social Civil de Interesse Público. Dizer que é uma ONG com certificado de OSCIP demonstra um desconhecimento do real estatuto da SAC, fundada em 1962, tendo o objetivo principal de apoiar o funcionamento da Cinemateca;

    2. A SAC não é mera administradora de recursos públicos, e sim viabilizadora e proponente dos projetos e programas, financiados por parcerias públicas e privadas estabelecidas pela SAC e pela Cinemateca, que quadruplicaram a força de trabalho da Cinemateca Brasileira nos últimos dez anos, aumentando a capacidade de atendimento às inúmeras demandas que se apresentavam (e que aumentaram também em função da boa resposta da instituição);

    3. Os recursos que viabilizaram as ações da Cinemateca Brasileira ao longo dos últimos dez anos não vieram apenas do Ministério da Cultura, mas o MinC foi, sem dúvida, o grande apoiador da instituição, ao estabelecer com a SAC o Termo de Parceria que viabilizou 20 planos de trabalho, alguns deles propostos pelo próprio Ministério, e todos plenamente de acordo com a missão institucional da Cinemateca;

    4. Nunca houve mais do que 40 servidores públicos trabalhando na Cinemateca Brasileira. A esmagadora maioria dos trabalhadores responsáveis pela capacidade de trabalho da instituição é contratada pela SAC (em 2012 passavam de 100), para projetos e programas definidos que, no entanto, garantiam a permanência do quadro – prova disso é a existência, entre os contratados pela SAC, de trabalhadores que contavam 18 anos de casa. Essa, até o momento, foi a única forma de viabilizar esse corpo técnico. A fragilidade dessa situação e a urgência em saná-la são preocupações constantes da Cinemateca e da SAC – basta ler qualquer um dos relatórios e planos de trabalho anuais preparados pela gestão que se encerrou em janeiro de 2013 para perceber que essa situação nunca foi tida como uma solução confortável, muito menos definitiva;

    5. O que se conhece até o momento dos planos da SAv, apenas linhas gerais, não difere do que se vinha fazendo e não há indicações práticas de como será implantado. Lembramos que estamos entrando no quinto mês desta gestão da SAv;

    6. A relação MinC/SAC pode ser revista, mas a interrupção abrupta da comunicação e da execução dos planos em andamento já provocou um grande estrago no cotidiano da Cinemateca Brasileira. Se a Sociedade Amigos da Cinemateca foi criada especificamente para dar apoio à Cinemateca, seria mesmo o caso de afirmar que outra “ONG” poderia administrar tão bem ou melhor? O que está em jogo é o modelo institucional capaz de manter a Cinemateca no nível de excelência que ela atingiu graças ao empenho incoercível de uma equipe de gestores e técnicos que acreditaram no potencial da instituição e a consolidaram como referência nacional e internacional;

    7. Quanto ao concurso público, trata-se sem dúvida de uma conquista importante para a Cinemateca Brasileira, já que, em 29 anos de vinculação ao governo federal, jamais houve um concurso feito especificamente para a instituição. A preocupação é com o curtíssimo prazo, dentro do qual pode ser causado um dano irreparável à continuidade do trabalho da Cinemateca, e com a questão de sabermos que apenas o concurso não será suficiente para manter o atual nível de desempenho (ou melhor, o nível de dezembro de 2012) – isso para não falar da efetividade do concurso, que demandará um trabalho esmerado para realmente conseguir trazer os quadros técnicos de que a instituição carece.

    A motivação dos que assinam e apoiam o manifesto pela Cinemateca é simples: não deixar colapsar, em poucos meses, uma instituição que se desenvolveu ao longo de mais de seis décadas, depois de empenhados muito esforço e muita paixão por gerações de intelectuais, cinéfilos e técnicos de todas as ordens, e que contava, no momento da interrupção de seu cotidiano institucional, com um corpo técnico excepcional.

    A Cinemateca Brasileira que existia até dezembro de 2012 já se desfez, em nome de uma questão administrativa ainda nada clara e de um modelo ainda não apresentado de como se poderá prosseguir com a sua trajetória.

    O presente é de descontinuidade e de nenhuma certeza sobre se há interesse em tornar a Cinemateca Brasileira o que ela já provou que poderia ser.

    Atenciosamente,

    Fernanda Guimarães

    Coordenadora de Comunicação da Cinemateca Brasileira