Obs.: Repassando o texto que começou a ser divulgado no fechamento do Olhar de Cinema. Atenção nas assinaturas, elas denotam as novas configurações nas redes de poder nos próximos 5 anos para o contexto cinematográfico do Paraná. No mais, nada de novo e o mesmo falso consenso sobre o cinema oficial curitibense e paranhesco.

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14 de junho de 2013

Christo Dikoff (atual presidente do Sated-PR) escreveu em 1969 um artigo sobre a situação do cinema paranaense que acabava de produzir seu primeiro longametragem de ficção feito numa estrutura profissional de cinema. “Lance Maior”, de  Silvio Back, que tinha no elenco Reginaldo Faria, Regina Duarte e o próprio Christo. Havia já no estado alguns longas anteriores, mas produzidos sem nenhum tipo de incentivo ou patrocínio e com pouca expressividade no cenário nacional.

Christo começa seu artigo dizendo:

“Analisarmos a posição do cinema paranaense ante o desenvolvimento qualitativo e quantitativo da produção nacional seria tomarmos uma posição sarcástica e irreverente, isso porque nos encontrávamos, até pouco tempo atrás, em um primitivo estado de produção e criação. As causas geradoras dessa nossa estagnação são de caráter essencialmente econômico, falta de apoio local e outras que condicionam nossa produção cinematográfica.”

Se comparamos a situação do cinema quando Christo escreveu este artigo há 44 anos com o que acontece hoje, só podemos concluir que o tímido apoio do Estado do Paraná permanece e as leis municipais ainda não estão adequadas às atuais necessidades do cinema. Dos poucos longas metragens que foram produzidos no estado, somente alguns estrearam no circuito comercial, e isto por esforço hercúleo dos próprios produtores, que sem apoio estatal não tiveram força para manter seus filmes em cartaz.

Por outro lado, a produção de curtas-metragens, que ao menos nas esferas municipais e federais consegue algum apoio financeiro, impressiona. Não são raros os casos de sucesso, com curtas de estudantes e profissionais alcançando destaque em mostras e festivais do porte do Festival de Brasília, da Mostra de Tiradentes, do Rio e de Gramado, Festival de Edimburgo, Rotterdã, Biarritz, Clermond-Ferrand, Cannes e  com pré-seleção inclusive para o Oscar.

Sob o ponto de vista de formação, o cenário atual no estado é bastante promissor: temos a graduação em Cinema e Vídeo da FAP-PR; três programas de pósgraduação na área audiovisual; diversas linhas de pesquisa de programas de mestrado e doutorado em cinema; inúmeros cursos livres de qualidade; disciplinas de produção de cinema e TV em todos os cursos superiores de comunicação social; além de mostras e festivais de cinema ao longo do ano. Mas é preciso fazer ver que, além de cultura e arte, portanto dever do Estado, o audiovisual é uma indústria econômica que gera renda e emprego. Fato para o qual outros estados da federação já atentaram.

Só pra citar dois exemplos: Atualmente para cada 1 real investido na produção carioca, o retorno é da ordem de 3 reais. E nos últimos anos o Estado de Pernambuco disponibilizou cerca de 30 milhões de reais para produção audiovisual e em toda cadeia produtiva – desde a capacitação profissional, pesquisa, desenvolvimento, produção de curtas e longas, e investimento no desenvolvimento e produção de séries – experiência que deu ao Estado o status de que goza hoje, nacional e internacionalmente.

Em contrapartida, o Paraná, quinto PIB da federação, não mantém nenhuma regularidade no fomento do audiovisual. O “Prêmio Estadual de Cinema e Vídeo”, que incentivou boa parte dos poucos longas produzidos até hoje, tem sido intermitente (ora acontece, ora não). No âmbito Municipal os recursos são bem reduzidos, o que inviabiliza a produção de longas-metragens e pilotos para série de TV.

Ao longo de 10 anos o Estado do Paraná investiu apenas 2,16 milhões em 12 telefilmes e 4 milhões em 4 longas-metragens, destinando apenas R$ 616 mil por ano para a produção audiovisual. Se comparados com os R$ 30 milhões de Pernambuco e com os R$ 30 milhões previstos por São Paulo para 2013, nossos R$ 616 mil soam risíveis. É curioso que um estado como o Paraná, quinta economia do país, não esteja em sintonia com outros estados no tocante à produção audiovisual.

“Hoje o Brasil é o maior mercado audiovisual da América Latina, passando  nos últimos 5 anos de 15° no mercado internacional para 12°” – discursou o atual Presidente da ANCINE, diante do Senado brasileiro em sua sabatina de reencaminhamento à direção da Agência.

Em 2012 foram vendidos 146,4 milhões de ingressos em salas de cinema e, a TV paga cresce na ordem de 25% por ano há três anos, atingindo novas parcelas da sociedade brasileira chegando a 30% dos domicílios nacionais, algo como 17 milhões de assinantes. E nossa participação neste mercado não chega se quer a 1%.

Acreditamos que este seja o momento para que o audiovisual paranaense se firme de uma vez, e para tanto o fomento por parte do Estado deve ser realizado de forma diferenciada em relação às outras áreas culturais, atendendo suas características próprias. Para que a indústria audiovisual aconteça na prática, precisamos de mecanismos para que os realizadores se mantenham, se profissionalizem e tornem suas produções constantes, melhores e sustentáveis.
Queremos, então, de forma sucinta investimentos que contemplem:

  • desenvolvimento de projetos e roteiros;
  • fomento para produção de tele-filmes, séries para tv, curtas e longa-metragens;
  • apoio financeiro e logístico para finalização e distribuição de nosso conteúdo audiovisual;
  • a manutenção dos cineclubes;
  • a reativação dos circuitos exibidores locais e regionais;
  • a organização de mostras e festivais;
  • bolsas de auxílio à pesquisa artística e de linguagem;

Queremos o lançamento da prometida Lei do ICMS, bem como um efetivo Plano de Política Pública pelo Estado do Paraná, e a publicação/homologação da Lei Estadual de Cultura além da periodicidade anual do Prêmio Estadual de Cinema e Vídeo, com dotação orçamentária própria e adequado aos valores reais do mercado.

De nossa parte estaremos acompanhando regularmente as atividades dos Conselhos Estaduais e Municipais de Cultura, dando assim nossa contribuição à construção das politicas publicas para o audiovisual paranaense.

Que o dia de hoje, dia 14 de junho de 2013 seja um marco para o cinema e que possamos nos próximos meses relatar o avanço decorrido deste ato. Porque sim, nós realizadores de cinema do Paraná, acreditamos no cinema, na arte e na vida, e sobretudo precisamos seguir adiante

ASSINADO

Ademir Silva
Aly Muritiba
Amarildo José Martins
Ana Johann
Ana Paula Málaga
Andréia Kaláboa
Antonio Jr.
Antônio Mantenar
Argel Medeiros
Aristeu Araújo
Antônio Carlos Domingues
Beto Carminatti
Blas Torres
Bruno Costa
Bruno Gehring
Cláudia da Natividade
Cristiane Lemos
Daniele Pie
Denise Soares
Diana Moro
Diego Florentino
Eduardo Baggio
Eloi Pires Ferreira
Fábio Alon
Felipe Augusto
Guilherme Gerais
Guilherme Peraro
Guto Pasko
Haver Filmes
Heloisa Passos
Joana Nin
João Castelo Branco Machado
João Krefer
Jose Carlos De Medeiros
João Marcelo Gomes
Larissa Figueiredo
Luigi de Franceschi
Fabiane Balvedi
Marcelo Munhoz
Marisa Merlo
Paulo Munhoz
Paulo Biscaia
Pery de Canti
Rafael Urban
Rodrigo Grota
Salete Sirino
Sandra Zawadzki
Sônia Procópio
Tamiris Spinelli
Terence Keller
Tomás von der Osten
Tulio Viaro
Willian Biagiolli

PRODUTORAS

Abração Filmes
Agua Viva Concentrado Artístico
Capicua Filmes
De Canti Produções
Grafo Audiovisual
GP7 Cinema
Processo Multi-artes
Moro Filmes
Oficina de Imagem Ltda
Tecnokena
Filmes do Leste
Kinopus Audiovisual
Máquina Filmes
Revista Taturana
Sambaqui Cultural
Tigre Filmes
Trópico Filmes
Vigor Mortis
Zencrane Filmes

ENTIDADES

AVEC – ASSOCIAÇÃO DE VÍDEO E CINEMA DO PARANÁ
SIAPAR – SINDICATO DA INDÚSTRIA AUDIOVISUAL DO PARANÁ
INSTITUTO DE CINEMA E VÍDEO DE LONDRINA

FESTIVAIS

Festival Olhar De Cinema
Festival Kinoarte De Cinema
Festival de Cinema de Maringá
CURTA 8 – Festival Internacional de Cinema Super 8 de Curitiba