Entrevista que fizemos com o realizador André Félix, a partir da exibição de seu longa Diante dos meus Olhos, durante o festival Olhar de Cinema.

Cinestésico: Como foi que chegou à história que deu origem ao filme Diante dos Meus Olhos?

André Félix: É uma história boa, como qualquer outra história. O que eu quero dizer com isso? É que tudo que me chamou atenção não foi aquilo que a transformava em grandiosa. Mas eu acho que era uma coisa ligada ao fracasso deles. E eu acho que esse é o elemento político, no momento em que a gente se permite documentar o nosso fracasso. Político no sentido da forma de fazer política. E eu acho que o filme foi gerado durante as eleições de 2014. E diante de uma crise muito grande minha em relação à postura do meu partido até então, o PT, com as manifestações daquele tempo.

Cinestésico: 2013, as jornadas de junho?

André: É. E eu achava que a gente tinha perdido alguma coisa. Depois eu vejo o filme do Adirley, Era Uma Vez Brasília, e ele fala sobre isso, sobre fracasso, mas até então eu achava as histórias de documentário, de musical ou não, de ficção e tal, histórias de sucesso, de uma maneira ou outra.

Cinestésico: Ou ainda resiliência?

André: Ou resiliência, ou até os filmes que pretendem  “explodir tudo”… É uma forma de você falar assim, “eu saí por cima”. E quando alguma coisa falha, eu sou muito partidário disso, eu acho que quando alguma coisa falha, ela se mostra muito mais interessante do que quando ela tem sucesso. Então, mexer no passado, e na história da música brasileira, que é a nossa coisa mais gloriosa, em todos os sentidos, a geração anos 60/70… Mexer nisso me interessava, e é isso que me encanta.

Cinestésico: No debate você falou um pouco disso, que durante o processo foi que você percebeu que a banda não existia mais? Quando isso apareceu pra você como um projeto, você já tinha consciência disso que está falando agora? Ou foi durante?

André: Têm várias coisas que me interessaram de cara, mas como eu sou músico e comecei na cultura e na arte pela música, dentro de mim existia uma esperança de que houvesse ainda a banda. E isso faz parte da contradição, né, a banda fracassou, mas tem uma coisa que é interessante: é que o filme é sobre fracasso. Você fazer um filme sobre o fracasso, você tem grandes chances de ter um filme fracassado sobre o fracasso, não é?

Cinestésico: É o risco?

André: É um risco, o fracasso pode contaminar todo o filme. Inclusive dele nunca acontecer, ele nunca sair. Agora um filme bem sucedido sobre uma banda fracassada, você põe em dúvida se a banda foi realmente fracassada. Se hoje vocês estão com a biografia do Francisco Grijó [Mamíferos – Crônicas de uma banda insular] em mãos, se estão vendo o filme aqui, falando “pô, quero conhecer mais a banda!”, já não é um fracasso. Então tinham esses dois polos, entre o fracasso da banda contaminar o filme, enquanto fracasso, ou a realização do filme ser bem-sucedida, e que pudesse colocar em xeque o fracasso da banda, talvez ela pudesse ser bem-sucedida, talvez seja a única banda que possa ser descoberta por uma nova via…

Cinestésico: Já está rolando né? O processo de gravar disco, teve livro, teve o filme… E de alguma forma eles estão no filme, tocando, naquela fala “faz quarenta e cinco anos que faço música”, de alguma forma resistindo, existindo?

André: São as três coisas, a vontade de ter um filme existiu antes de eu entrar, isso é certo. Mas o que move o disco, e o que move a biografia, não é o que move o filme. Então a minha interferência é: eu não quero ir atrás de uma verdade histórica. Eu não quero transpor as músicas e torná-las palatáveis para as novas gerações. Ou seja, o que seria essa verdade que eu tô propondo aqui? Não seria a verdade metafísica, mas como se fosse uma verdade da imanência. Por isso os corpos deles, por isso as gravações de áudio, gravação de ensaio, gravação de show, por isso assumir os ruídos. Não que isso traria mais ou menos a banda, mas eu me interessava por esse lugar em que a banda se mostrava mais potente. Então a potência pra mim não está em se a história foi, se o Toni Tornado matou a menina ou não, se o Ney Matogrosso pintou a cara por influência deles ou não. Mas o que esse lance todo fez no corpo desses caras. E é por isso que o filme é “Diante dos meus olhos”, porque essa frase é talvez uma das mais conhecidas frases do Godard, que está no Salve-se quem puder a vida: “Eu ainda não posso morrer, porque o filme da minha vida não passou diante dos meus olhos”. Quando você vê essa parada batendo no corpo dos caras, e eles mais próximos, em tese, na curva da vida, digamos assim, olhando pra o que passou, e olhando pra frente, e tal, esse entre-lugar, que é a velhice, de acerto de contas, ele traz um tipo de relação com a verdade bem urgente. Então a gente montando o filme, e demorou muito pra gente montar, lidou sempre com essa questão deles não conseguirem ver. Então hoje, o filme estrear aqui, deles poderem ver, é uma forma de… não de redenção, mas é uma um gesto tipo: “eu entendi o que aconteceu, eu acho que eu entendi o que aconteceu”.

Cinestésico: Uma postura afirmativa, né? Sobre todas essas questões. Essa questão da verdade que você falou, desse mundo dos documentários musicais, de alguma forma seu filme se afasta dos filmes musicais, ele se aproxima pela temática, mas se afasta formalmente?

André: Afirmativa… Mas é por isso, é pelo documentário musical, o Deleuze tem uma coisa que ele fala assim, “fechar a porta pelo lado de dentro”. Ele fala que o Hitchcock fecha a porta do cinema clássico, pelo lado de dentro. Então assim, a minha vontade, era “olha gente, não dá mais pra gente fazer uma coisa, que faziam muito melhor que a gente na década de 90, cara. Tem uma série de filmes sobre os anos 70, sobre discos mais famosos, shows mais importantes, ”. Isso aí já existe! Tem uma coisa, não é só no Brasil não, mas no mundo todo, se criou um filão, de que documentário biográfico sobre artista era uma coisa importante. É a “visita a fábrica”, é o que o Rosselini fala, é visita ao estúdio de TV, é uma coisa da informação pela informação. E o documentário musical  representa de forma fidedigna o espírito do broadcast. E eu acho o seguinte, eu estou pelo YouTube, não pelo Netflix. O YouTube é o quente, não o Netflix. Tem coisa escrota? Tem! Tem Kéfera, essa excrecência, mas é lá que eu tô hoje.

Cinestésico: Que é daqui de Curitiba!

André: Kéfera e Moro, né? (risos) Mas ao mesmo tempo YouTube tem ASMR, tem as coisas mais estranhas!

Cinestésico: E tem essa questão de você ser um cara da pesquisa, sempre inteirado da imagem. Como é essa questão da busca de um cinema, a questão que a imagem tem? Entrando nisso, a questão da sobriedade que você fala, que tem muita imagem hoje em dia, tudo é excesso, a gente já tem muito de tudo, por que você vai fazer mais um filme pra estar no mundo?

André: A questão é a seguinte: existem aqueles cineastas que a questão é a realidade, e existem os cineastas que estão do lado da imagem. Os cineastas que estão do lado da realidade, vou dar o exemplo do Maurice Pialat, e do lado da imagem, tem o Jean-Luc Godard. A minha questão é a seguinte: se existe a realidade ou realismo, a impressão de realidade como forma, existe também a consciência de que a impressão de realidade é a própria imagem, é um tipo de imagem. Se existe esse polo daquele acreditar só na imagem, a imagem em si não é nada, ela é uma rede de relações. Eu posso fazer uma imagem daqui, da gente, e ela não vai ser nem realidade nem só imagem, mas um tecido de relações. Mas acho que hoje, a questão da realidade versus ficção já foi superada, ninguém mais que me interessa tá nessa de querer enganar, de querer iludir, ”o que você está vendo não é isso”, isso aí já é bobo, já tem camadas, tem o filme do Nicolas Refn, Neon Demon, é um filme que já abandonou todas essas questões, se ele usa isso, ele usa como o Baixo Centro. Acho que hoje a imagem está explorando cada vez mais as paisagens, as texturas, uma maneira despretensiosa de chegar num lugar novo, os caminhos, uma imagem na outra. Um montão de questão, hoje não tem mais só uma grande questão. Eu não acho que o Kiarostami seja um cineasta possa ser reduzido a isso. O Kiarostami achou uma cor, como o pintor que acha uma cor, o cara achou uma coisa, e repetir aquilo não vai dar certo, o cara achou um jeito de fazer a coisa. Ser reduzido a uma questão de ficção e realidade é pouco, a minha questão com a imagem é a questão da cor. Como a questão do pintor.

Cinestésico: E pensando no seu filme, assim, que ele tem uma parte mais documental, e uma parte em que você joga isso para o espectador, que você faz uma brincadeira toda com isso?

André: Na parte final?

Cinestésico: Não só, principalmente no final, mas desde o começo do filme têm momentos em que isso acontece, né? E no final fica mais direto.

André: Engraçado porque as pessoas acham que só tem no final, e eu até confirmo, em termos didáticos fica mais fácil fazer, falar o que eu quero dizer, mas já está desde o começo, desde a cena do filme virando clipe, o clipe voltando a ser filme, é louco isso, né? Eu acho que, o que me interessa hoje no cinema, e documentário, tudo, é a capacidade de você aumentar e diminuir a velocidade, você como diretor, você está aqui e você aumenta a velocidade, e a galera “oooh”, e aí você diminui. Modular a coisa. Nesse caso, o diretor é como o operador de cabine de montanha-russa, é aquele cara que aumenta a velocidade, e as pessoas falam “não, não, não”, e aí ele diminui, aí as pessoas respiram, e ele aumenta de novo! Essa é a grande jogada do cinema de terror, é o cara conseguir aumentar a velocidade, a expectativa é que é uma merda, mas é legal, quando você vê o cineasta te dando uma banda… E eu acho que aquela cena final, ela é isso, ela causa isso, em termos de sensação ela causa isso. Mas em termos de verdade, é você dizer “cara, uma banda de rock há quinze anos atrás trazia pra nós as imagens mais fodas”.

Cinestésico: O lance do perigo, né, a subversão?

André: O clipe! Você lembra o clipe de Give it Away, do Red Hot Chilli Peppers? Cara, quando isso lançou, eu tenho 37 anos, isso foi lançado, não sei, eu tinha dez anos, quando eu vi aquilo, não havia um filme que pudesse me traduzir essa porra. Então,quando saiu o Last Night, do The Strokes, que trouxe de volta a textura de imagem do VHS, quando a gente estava embasbacado pela coisa do DVD, que vinha esse futuro digital alta definição, os caras vão fazer com VHS … Então esse jogo da imagem, a banda de rock sempre trazia isso, desde os Beatles, desde antes,os filmes dos irmãos Maysles, tinha essa coisa. Esses caras além de ser uma ótima música, eles dominavam o imaginário. O rock acabou quando a capacidade de provocar esse imaginário acabou.

Cinestésico: Explica mais ou menos, você filmou muito tempo, quando começou a questão de fazer esse filme?

André: Eu entrei no processo em outrubro de 2013.

Cinestésico: Tudo no olho do furacão então?

André: Como assim?

Cinestésico: Sociedade, e tudo?

André: Em 2013 eu tava pirado, eu estava escrevendo o projeto ouvindo bomba! Morava na Pereira da Silva, que é esquina do Palácio de Guanabara. Então eu ouvia, perdia a internet por causa disso… Então começou nesse lugar, eu achava que a história era uma coisa, isso da esperança né? Então quando eu ouvi as entrevistas, eu vi que tinha um caô, aí. E eu queria saber até que ponto era o caô, e na aproximação com eles, eu via que esse caô aumentava. Esse caô de “homens fodas, fizeram uma época e não sei o que, e tem um montão de músicas, não sei o que”, eu me aproximando deles eu vi que o caô, fisicamente, ele estava na coisa, e aí eu fui filmar tudo, pela primeira vez. E eu filmei em 2014, um dia depois do Eduardo Campos morrer, no avião. A história, que existiu uma banda, que influenciou muita gente, mas não gravou um disco. O motivo até então era porque a banda tinha ido pro Rio. Mas aí a gente descobre que foi depois deles terminarem, nem todos foram. Eu falei “não, não era Mamíferos, isso”, aí voltávamos, e sempre que ficávamos, era Guarapastock. Eles tiveram uma banda de bossa nova, esse projeto de bossa nova ao rock que é o protótipo de quase todo mundo: Jorge Ben que vai da bossa nova ao samba rock, Gilberto Gil vai da bossa nova ao rock e ao pop, eles estavam conectados com isso, eu descobri que tinham certos caôs, eu fui mudando a forma de pensar sobre o filme. E aí é que foi chegando.

Cinestésico: E essa questão de destruir a linguagem padrão do documentário. Tem as panorâmicas, não tem as informações, tem muito mais subjetividade… Isso veio desde o início, ou foi desenvolvendo?

André: É porque a história que existia era um “fiapo” de história, e era uma história quase de, claro, têm histórias incríveis, de roubos, de drogas, de coisas, mas pra mim, eu vi um filme no processo de fracassar, e eu coloco o fracasso no filme, ou seja, se você procurar a história, você fracassa, se você no final procurar a redenção deles, o final, você fracassa. E no final ainda tem o Marco Antonio Grijó passando em frente ao bar, e indo embora! Quer dizer, existe um artifício ali, o tempo inteiro, vida como artifício, e isso que faz o fracasso ficar potente. O Luiz Pretti, que é o montador, acha que é o grande personagem do filme.

Cinestésico: E como é a relação com o Pretti, ele está bem dizer onipresente, montando vários filmes, aí?

André: É, antes era o Ricardo [Pretti], né, no nosso filme não, esse cara onipresente era o Ricardo, irmão gêmeo, né.

Cinestésico: Eles tem uma pegada mais rock, também, pessoal do Alumbramento?

André: É que ele é um cara que entende, não só em termos intelectuais. Eles dois têm tanto a maturidade artística, que eles já alcançaram a mobilidade, de se colocar com uma visão totalmente nova pra cada projeto, e se colocar não como um artifício técnico, porque quando eles fazem isso, eles vêm com todo o cinema. São os caras que viram mesmo, sabe? “Tem um filme do James Benning”, os caras viram! “Ah mas aí tem o Robert Siodmak, Férias de Natal”, os caras viram! “Ah mas o Griffit, tem True Heart Susie”, os caras viram! “Ah, mas o Antônio Calmon”, os caras viram! Então essa parada, não é só de ser cinéfilo, é de ter mobilidade, um corpo, mas de abraçar certas coisas, se compor com as coisas, ao mesmo tempo ter certas coisas. E eu acho que tem uma coisa com ele, de uma sinergia, até de humor, e esse filme foi muito difícil, chegar até aqui, agora, onde eu estou agora, sentado dando entrevista. Foi difícil imaginar ele como filme, foi difícil juntar as peças dele, se afirmar como sendo ele, então ter um cara assim, é muito importante, por isso que o Scorsese tem a Thelma Schoonmaker! Ela era namorada do Michael Powell, que é o maior diretor inglês de todos os tempos. Michael Powell foi o que fez Sapatinhos Vermelhos, e ele tinha ela, que trazia tudo, conseguia se moldar e trazia… Você começa a confiar no cara.

Debate sobre o filme Diante dos Meus Olhos, após exibição no festival Olhar de Cinema. Foto: Leticiah Futata.

Cinestésico: E pegando um pouco o contexto brasileiro, 2018, como você localiza seu cinema nisso?

André: Eu acho que em 2012, eu conheci Olavo de Carvalho, pelo YouTube, pelos amigos que estavam muito interessados nele. Aí eu entrei e comecei a ver esse cara, e ele parecia uma certa… Existia uma coisa, de captura do campo semântico. Ele falava que a esquerda, com o PT, tinha capturado o campo semântico, e que a direita precisava ter estratégias pra reverter o jogo. Logo depois teve o Junho de 2013, e junho abalou o que se tinha nesse lugar, que era o lugar de proposição, o PT tinha uma força de propor tudo, e essa força fazia as coisas avançarem, quando tudo tava uma merda, a morte do Amarildo foi por aí. Eles ganham em 2014 e não conseguem mudar, porque já não tinham isso na mão, e isso estava por aí, e eu acho que isso ainda está por aí, não está na mão de ninguém. Existe um cara que conseguiu entender o que é isso, que é o Bolsonaro, mas ele não é, não vejo uma consistência de chegada nele… Mas voltando pro cinema, o que tem a ver com isso? Eu sinto que não se apresentou ainda um novo sabor pra esse cinema brasileiro.

Cinestésico: Mais ou menos o que a Juliana Antunes estava falando, que o filme dela é pré-golpe, e que os novos filmes, pós-golpe, estão por vir ainda?

André: Então, eu acho que não se inventou ainda, o novo sabor, que seria o que? A forma dos filmes ainda é na confiança do campo semântico do PT, que você estabelecia um discurso, e ele era indestrutível, e hoje já não tem isso. Meu filme, nesse lugar, é um filme que está no stand-by, eu já sei que o campo semântico foi perdido, é por isso que tem aquela parte final. O novo campo semântico, eu não achei ainda, que não tá em ninguém e está em todos, não foi presentificada, não foi corporificada. Eu acho que o novo cinema, a nova cor do cinema brasileiro, está nesse limbo, o Ardiley faz um filme em 2014, Branco Sai Preto Fica, que é resquício dessa coisa ainda, “vamos explodir Brasilía”, e faz Era Uma Vez Brasilia:, “perdemos”, esse lugar nós perdemos. O Arábia também é um grande filme mas é um grande filme nesse mesmo lugar, o Baixo Centro também. Não estou diminuindo os filmes, estou dizendo que esse frescor que a gente experimentou durante dez anos, ele acabou. Nós estamos numa era pobre, e existem eras ricas e eras pobres.

Cinestésico: É uma era contraditória, porque o cinema está pródigo?

André: O cinema está super pródigo, está se fazendo muito filme, mas eu hoje estou preocupado com essa recaptura do campo semântico, mas ela não vai se dar do mesmo jeito, com a mesma forma, não vai se dar com uma consciência total, vai se dar com uma nova forma de consciência, então quando você pensa no Brasil hoje, dos youtubers, dos games, da internet engolindo a TV e voltando pra ela, e engolindo de novo e voltando pra ela, você fala “epa, a imagem é importante!”, não é só uma curiosidade, não é só fumar e usar lsd, e ver vaporwave, nós temos que ver ela como uma possível saída dessa cilada. Pode não ser também, mas a gente tem que investigar pra além do nosso preconceito. Por isso eu aponto o youtube como uma possibilidade. “Ah, mas é uma empresa, está no google”, Foda-se, eu vejo aquele meio com a potência que ele tem, muito grande, muito grande.

Esta entrevista foi realizada por Frederico Neto e Vinicius “Vino” Carvalho. Fotos cedidas por Leticiah Futata e Milena Abreu.