Mulamba – foto por Luciana Petrelli

resenha por Sandro Moser*

Quem já viu um show da banda Mulamba pode como eu ter se perguntado alguma vez: será que elas conseguem levar para uma gravação todo o impacto que tem no palco?

A resposta está aqui na forma do álbum Mulamba disponível desde hoje (2/11/2018) em todas as plataformas digitais.

As oito faixas deste álbum de estreia transpõem a voz feminina a um só tempo lírica e irada dos temas da Mulamba.

Reconfortante pensar que é apenas o começo, o ponto inicial de uma carreira que será longa e, cada vez mais, necessária.

As canções da Mulamba tem discurso político perfuro cortante. Sem par talvez em nenhum outro projeto musical do país atualmente.

Mas ele por si só não bastaria não fossem os arranjos e possibilidades musicais em que cabem pscicodelia, macumba, a melhor MPB, jazz, samba, rap, funk, metal e música de câmara.

Se algumas faixas como Mulamba e [a já histórica] P.U.T.A. são uppercuts no queixo dos moralismos fundamentalistas, há momentos de extrema beleza como em Desses Nadas, em que o violoncelo de Fer Koppe dá o tom trágico do amor nestes nossos tempos hidrófobos e Provável Canção de Amor Para a Estimada Natália, que deveria tocar nas rádios.

Amanda Pacífico já é uma das melhores compositoras do país.

Tereshkova com seu riff que nossas bandas pesadas ainda não fizeram e o lamento Lama – sobre o apocalipse ambiental – são outros destaques.

Este álbum de estreia da Mulamba é tudo que o Brasil da “nova era”, armada e canhestra, mais odeia e teme.  Mulamba é a voz da mulher. Negra, homossexual, socialmente proscrita e pobre falando sobre sua própria vida com coragem e insolência desconcertantes.

Um problema que fica maior quando feito sob direção musical talentosa e contemporânea onde cabem referências diversas, união de muitos talentos e, pior do que tudo, poesia. A gente sabe que eles odeiam poesia.

Desses Nadas é o single que anuncia o primeiro álbum da banda Mulamba, clipe desta postagem foi lançado em setembro passado.

Desses Nadas – Mulamba

  • Letra e Voz – Amanda Pacífico
  • Voz – Cacau de Sá
  • Participação – Lio Soares
  • Bateria – Caro Pisco
  • Violão – Erica Silva
  • Violoncelo – Fernanda Koppe
  • Baixo – Naíra Debértolis
  • Percussão – Priscilla Link
  • Piano / Acordeon – Luisa Toller
  • Viola – Catarina Schmitt
  • Castanholas – Joe Caetano
  • Gravado no Red Bull Studio / Nico’s Studio
  • Mixagem e Masterização – Vitor Pinheiro / Gramofone

Conexões: Mulamba.com.br | FB.com/mulambaoficial | @mulambaoficial

*Sandro Moser é advogado e jornalista cultural, trabalha no Guia da Gazeta do Povo. Publicado originalmente em: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1102857356547281&