MINC em pauta – digressão 1

Começo uma série de digressões sobre as disputas políticas envolvendo o Ministério da Cultura, tendo em vista a existência de muitos interesses não declarados em jogo e oportunismos de ambas as partes. Destaco a manifestação on-line do Professor Cezar Migliorin (simpático ao PT) e do cineasta João Batista Andrade (que deu o seu apoio ao Serra).

João Batista Andrade no Facebook:

Bom dia, amigos. Mta movimentação área cultura, c/ posse de Ana de Holanda. Gosto da Ana, acho q haverá mudanças importantes. Tenho sido, embora respeitoso, crítico à política atual d MINC. Aqui mesmo disse que MINC havia trocado cultura por movimentos culturais. Q lidava com desenvoltura com movimentos culturais e mal com os setores profissionais. É preciso equilíbrio ou, como era o caso, tudo virava só política.

Cultura se mobiliza por espaços na gestão Ana de Holanda. É falsa a dicotomia “movimentos culturaisX artistas”

Migliorin em seu blog:

Essa percepção de cultura retira do artista a centralidade nos processos culturais. Uma centralidade que pode ser extremamente conservadora se formos privilegiar o artista e não a democracia em questões como os direitos autorais, os acessos às mídias digitais, internet e softwares, etc. Ao privilegiar o artista retiramos do processo cultural o criador, o povo. Como disse ainda o Gil em seu discurso de posse, o problema do estado é ficar a altura da criação do povo.

A partir do Gil, o MINC ficou aberto ao que rolava de novo no cenário cultural nacional. Conseguiu um bom diálogo com setores importantes e emergentes que em outras gestões ficaram a margem de qualquer processo institucional ou de políticas públicas. Dentro desses movimentos eu destaco o Circuito Fora do Eixo, uma iniciativa própria que começou sem apoio estatal.

Em outra frente, temos quase que o oposto com a “turminha”, dona da verdade, que compõem o Cultura Digital. Acredito ser extramamente demagógico o discurso desse pessoal e muito oportunista o posicionamento de várias de suas figuras “notórias” em relação ao direito autoral e esse deslumbramento.

Porém, é muito importante a discussão que eles propõem, pena que estão estancados em questões torpes e ideológicas. Destaque ao trabalho de Sergio Amadeu, Marcos Manzoni e Marcelo Branco. Ao meu ver, tem um equívoco de achar no software livre e na hippisse digital uma forma de socialismo ou libertalismo, se pautando apenas por questões conjunturais. Além dessa infiltração no governo federal a qualquer custo, com resultado mínimos, principalmente no campo artístico.

Cultura Digital e Softwre Livre tem que ser pensado como questões táticas e de projeção, não como algo estratégico ou como um fim em si mesmo.

Documentos:

Carta Aberta do Cultura Digital

Discurso de transmissão de cargo, Ministro Juca Ferreira

Discurso de Posse, Ministra Ana de Hollanda