MINC em pauta – digressão 2

Respondendo o Prof. Migliorin, nos seus comentários no Facebook:

O que v. chama de “questões conjunturais”.

O outro ponto é que a disputa em torno do software livre é dos mais importantes embates no capitalismo hoje.

É uma disputa que passa por ideologia sim, passa por visão e desejo de mundo.

Ainda,
V. poderia falar um pouco mais sobre o que entende como “questões táticas e de projeção” em detrimento de algo estratégico?

O que eu (des)entendo sobre a pauta do software livre no Brasil,

Questões estruturais: sistema capitalista, produção de conhecimento e tecnologia dentro desse sistema, a ausência de um parque tecnológico no Brasil para fazer frente dentro dessa luta econômica ou ideológica, que pode passar a ser política.

Questões conjunturais: acreditar que o uso “ideológico” e (pseudo) militante do software livre pode fazer frente em uma disputa dentro do capitalismo sobre a produção tecnológica, denunciando o caráter não parcial, neutro da tecnologia; o software livre pode fazer frente ao software proprietário, mas ele tem que ser melhor, tecnologias de substituição não fazem frente as tecnologias de inovação, o exemplo está na projeção digital – só está criando corpo e realmente sendo utilizada por causa da projeção em 3D, que é uma tecnologia de inovação; ainda em tempo, é preciso pensar em um hardware livre brasileiro e a criação de um parque dentro das universidades brasileiras e de forma unificada a respeito, em uma noção de software livre, não adianta nada ficar defendendo a “cultura digital” se não se faz instrumentos utilizáveis e melhores que os pagos, o que não ocorre e qualquer discussão a respeito é relativizada ou refutada grosseiramente pelos ativistas da “cultura digital” e/ou “software livre”.

Questões táticas: ao meu ver, as “tecnologias livres” devem ser encaradas ideologicamente e taticamente como formas de libertação da dependência do uso de tecnologias do ocidente, 1º mundo, centro do capitalismo o que quer que seja; a noção da tecnologia como algo público, atualmente inexiste; deve-se pensar uma articulação entre os Ministérios das Comunicações, da Cultura (talvez), da Ciência e Tecnologia a respeito, o que é possível com os atuais nomeados; a outra questão é conversar com quem realmente cria e trabalha com a produção de tecnologias e esses nomes não estão na “turminha” do software livre (talvez o Manzoni), muito menos no pessoal da Cultura Digital.

Questões de projeção: o software livre é uma pauta que agrega (afinal, quem pode ser contra?), assim como o Passe Livre, é uma pauta nova e que dá destaque e projeção social; tem que saber utilizar isso para tocar essa luta e criar uma hegemonia.

Estratégia x Tático / Estrutural x Conjuntural

É um xavão e é uma fuleragem, mas é verdade e tem que ser discutido, qual a estratégia? Disputar o capitalismo ou supera-lo?

Enquanto o viés for de disputa do capitalismo pouca coisa vai mudar e uma grande trabalho será feito a toa, a questão tática e em decorrência a sua luta não pode suprimir a questão estratégica. E a estratégia é a revolução, o norte sempre tem que ser esse e não podemos ser oportunistas e vacilantes (como os grandes ciclos da esquerda foram (i) Partidão e (ii) PT) em achar que a revolução é algo para as futuras gerações. Tá na hora de reatar a perspectiva de voluntarismo das massas.