Inácio Araújo X Apichatponguetes

Alguns trechos de textos do crítico de cinema, que estão sacudindo as apichatponguetes:

Estou longe de ser um fanático de Apichtapong Weerasethakul, cujo “Tio Boonmee” está em cartaz no Brasil e que garnhou a Palma de Ouro em 2010. Também, devo admitir, sou apenas um pobre ocidental. Não morro por nenhum desses chineses e assemelhados que apareceram nos últimos anos. È terreno em que meu amigo Cassio Starling se move melhor do que qualquer outro. Tirando o King Hu e uns caras de Hong Kong, ali da tradição do kung-fu, quem me impressionava mesmo era o Edward Yang, que morreu desgraçadamente jovem.  Mas pode ser que eu já esteja ficando meio velho e, quando isso acontece, a gente vai também se tornando desconfiado, porque a indústria (a de autores inclusive) precisa inventar nomes novos.

23/01/2011

Faltava a palavra inevitável: chatíssimo. Essa espécie de condenação à morte simbólica. Há duas maneiras de um filme ser chato: ou porque nós não o compreendemos ou porque o compreendemos demais. Talvez o nosso amigo do óbvio se divirta à beça vendo, digamos, “De Pernas para o Ar”. Lhe parecerá perfeitamente compreensível que uma mulher frígida descubra a sexualidade não fazendo psicanálise ou procurando um outro parceiro (o marido a abandonara, no mais): parece perfeitamente óbvio que ela descubra a sexualidade com um vibrador, que se sinta realizada abraçando um coelho movido a pilha etc. Isso lhe parece compreensível, assim como os de “A Origem”, até porque são filmes que vêm com bula, sobretudo o segundo, isso é, com essas explicações prévias que os estúdios destilam pela mídia.

31/01/2011