O que eu não suporto na classe média e na universidade brasileira

Na classe média,

A sua mentalidade instrumental e a sua superficialidade, sempre querendo copiar a elite e ser a elite. Em uma país subdesenvolvido como o Brasil, essa mentalidade vem acompanhada de algo chamado de moçambismo.

Outra coisa que não suporto são os revolucionários de botiquim, de botique, de sofá e de acadêmia. Só falam e não fazem nada. Seu radicalismo é estúpido, reformista e muito liberal, as vezes neoliberal. Acreditam que as liberdades civis e os direitos sociais são oriundos da “evolução” da democracia burguesa. Entendem a democracia como algo natural.

Na universidade brasileira,

Detesto a mentalidade limitada, instrumental e tecnocrática. No curso de cinema em que estou me formando, vejo um bando de folgados que acham que a faculdade tem o dever de ensinar tudo a eles e de dar tudo de mão beijada. São os mesmos tipos que ficam chapados em sala de aula, que chegam tarde e vão embora cedo, que criticam embates teóricos e explanações. Querem tudo didático, querem aprender apertar botões e não a pensar por conta. São os mesmos que reclamam da mediocridade de alguns professores, mas louvam os mesmos quando passam todo mundo e “facilitam as coisas”.

Dizem que um dos grandes aprendizados na academia é ter adquirir a da tão falada postura crítica. Atualmente isso é dificil por dois motivos óbvios: 1) a falta de experiência humana dos estudantes, a falta de noção de mundo pois vivem em ambientes sem contradição social, sem variação de idade e cultura, isso sem contar a infância de carpet e o aprendizado em colégios particulares; 2) a falta de exemplo do quadro docente e administrativo da instituição, nas faculdades, atualmente, a mesquinharia e a mediocridade se converteram em lei.

Enquanto o ensino superior se prestar a ser uma fábrica de diplomas e mão-de-obra barata e especializada, uma creche para adultos e/ou trampolim político e economico para oportunistas, a situação só piora. A universidade deveria ser um local para experiências, descobrimento e troca de conhecimento – isso numa visão simplória e iluminista.

Prefiro visões românticas que as opiniões e comentários cínicos.