Jornalismo cultural atual: crônica de anedotas ou crítica de resenha

Acabo de retirar permanentemente do meu feed e das minhas redes sociais a Revista Piauí. Sempre tive as minhas diferenças com a linha editorial moderninha, diletante e metida a sapequinha desse periódico. Achei interessante a proposta dos blogs com convidados, em especial o “Questões Cinematográficas” do Eduardo Escorel que foi meu professor de direção no curso de cinema.

Porém, entretando e toda via, as últimas crônicas de anedotas com “personalidades” convidadas foram a gota d’água. Principalmente com a Lina Chamie (que também foi minha professora de direção no mesmo curso de cinema) narrando o evento político cinematográfico do momento: o jantar da Presidente Dilma com as cineastas. A própria pauta de evento social do Planalto já é ridícula. Não sinaliza nada para o cinema e muito menos para a cultura. Foi um mero ritual de poder e nas cinematografias periféricas, como a do Brasil, o cinema sempre está no fundo do poço quando vira mero ritual de poder.

Em um tempo que a indústria cultural virou a salvação da lavoura do capitalismo tardio, principalmente no seu aspecto de mercadoria e de mero produto-fetiche sem valoração humana, faz uma falta tremenda um jornalismo cultural formador de opinião e com capacidade de polemizar. A repercussão da troca de textos entre a “Nova Crítica” e o Carlos Alberto de Mattos foi sintomática em revelar o conservadorismo que cerca o meio cinéfilo. Os politicamente corretos, a maioria dos almofadinhas do novo cinema diletante da vez, falavam de agressões e ataques. Foi uma educada divergência e nada mais.

E assim caminha a humanidade…