Um Novo Lar para Osama Bin Laden

por Rogério Ébrio*

Curitiba, 4 da madruga, dia 2 de maio de 2011. Tá um frio da porra e a breja de domingo acabou faz tempo. Estou assistindo a FOX NEWS falando da morte do Osama e criticando o Obama. Os nomes são quase iguais e aos olhos dos Republicanos esses sujeitos não devem diferir em muita coisa.

Soube da morte de Bin Laden pela primeira vez em 2002, ou final de 2001(?), anunciada pela própria Al Qaeda, na CNN. Hoje foi a segunda vez que me anunciaram a morte de Osama. E logo após ter visto o filme Nosso Lar, na TV. Nem queiram saber o que está se passando pela minha cabeça agora! Algumas pessoas podem achar que essas coincidências não acontecem atoa… outras como eu, dizem: – Caguei pra essa porra!

Em Novo Lar o mundo é dicotômico: existe o caos e existe a razão, existe os puros e os impuros, o plano celeste e o plano terrestre, os encarnados e os desencarnados. Em Novo Lar não existe conflito, contradição e erro. Todos dizem sim e vivem em uma comunidade mística, que parece um spa, onde as pessoas se vestem como se tivessem nas festas de ano novo ou com lençóis amarrados no corpo. O spa é administrado pelo elenco da Rede Globo e seguem um líder carismático, interpretado por Othon Bastos.

Nessa estória acompanhamos a jornada de André, um médico e não um médium, que tem um piripaque em casa e vai ter que acertar as contas com o Divino para poder voltar a ver a sua família. A narrativa não tem nada demais e nenhum conflito, a única personagem mais interessante é Heloísa, que não veste branco e que questiona o moralismo do recinto. André se interessa por ela, eles tem a chance de fugir. Ele recua e ela enfrenta o limiar, mas acaba se dando mal e sendo socorrida pelos funcionários do spa. Depois, ela se arrepende e André tem o seu indulto para stalkear a sua família novamente.

No spa as pessoas lêem a mente das outras, perambulam por parques e ouvem música clássica. Tomam água e sopa. Andam em estações tubos, semelhante com as que tem em Curitiba. Não existe apego a matéria e as pessoas trabalham pelo bem de todos e são gratificadas pelo merecimento. Quanto mais merecimento, mais recompensa e em decorrência conseguem algumas vantagens, como por exemplo a possibilidade de utilizar a lan-house espiritual pra espiar os terrestres, através das webcams.

É interessante notar que o Novo Lar é administrado como se fosse um Manicômio Judiciário. Os desencarnados são pessoas sem discernimento completo e que cumprem medidas de segurança até serem habilitados pelo Othon Bastos, para uma nova reencarnação. O que parece ser o objetivo comum de todos. Seguindo essa lógica, o que seria o inferno?

Segue algumas sugestões para uma futura sequência do filme:

  1. inclusão de um rival para André no spa celestial;
  2. fazer a Heloísa pagar peitinho;
  3. adotaria algumas inovações celestes utilizadas no filme “Um Visto Para o Céu”, como por exemplo os restaurantes com boca livre e câmaras para a projeção das reencarnações;
  4. uma sequência de perseguição com carros e capotamentos;
  5. a vinda de Osama no final do filme.

* Novo colaborador do blog.