Retrospecto de 2012: o que foi bom; o que não foi bom; o que não fede e nem cheira


icone-produtor-org-comentando

O que foi bom:

  1. A saída da An(t)a de Hollanda do Ministério da Cultura, bem como a saída da Ana Paula Santana da Secretaria do Audiovisual do MINC, depois de uma (in)gerência sem proposta e que esvaziou vários programas da SAV, em especial o Cine+Cultura.

  2. O Prefeito Luciano Ducci não ter sido reeleito e, melhor ainda, nem ter ido ao segundo turno no pleito eleitoral para a Prefeitura de Curitiba.

  3. Juca Ferreira na Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo ou seja, uma nova política cultural no âmbito paulistano. A indicação de um nome de densidade nacional para uma pasta municipal possibilita um novo rumo nas ações da pasta, que diferente de Curitiba, tem um projeto de Estado com políticas estruturadas.

  4. A Fundação Cultural de Curitiba sob uma gerência petista é o primeiro marco nas políticas culturais na província das araucárias. Espero que os gestores não se acanhem e que sejam executadas ações estruturantes, sem concessões aos artistas oficiais e aos produtores locais reacionários. Estaremos observando e fiscalizando, preparados pro pé na porta.

  5. “O Palhaço” fora do b’Oscar depois de todo o lobby da ANCINE e do Governo Brasileiro, que bancou churrascos para os membros do júri e etc. Lamentável esse tipo de coronelismo cinematográfico, um vício comum no Brasil e que se renova no cenário cinematográfico brasileiro em várias facetas – seja o dito cinema de mercado e os chatíssimos, novíssimos, diletantíssimos do cinema brasileiro e o que quer que seja.

  6. O sucesso do festival “Olhar de Cinema” que teve a sua primeira edição nesse ano, possibilitando a exibição de uma vasta gama de filmes nacionais e internacionais em Curitiba, que ultimamente tem sofrido pela ausência de uma programação de cinema. O evento começa modesto e com a perspectiva de ampliação e consolidação, se tornando a principal mostra de cinema no Paraná. O principal diferencial é que a produção do festival foi feita sem politicagem e troca de favores, algo que infelizmente é inédito nessa região.

  7. A Galeria Sem Licença, a Galeria Ponto de Fuga e a consolidação do Fidel Bar como espaço boêmio e cultural em Curitiba.

O que foi ruim:

  1. A destruição do projeto original do Marco Civil para a Internet por conta das pressões das teles e dos reacionários de plantão, além do silêncio vergonhoso do Ministério das Comunicações. Lamentável!

  2. A forma lacônica e tímida como a ANCINE tem implementado a Lei do Cabo, além dos vários recuos institucionais por conta da pressão da SKY.

  3. A forma como foi instituído o Conselho Estadual da Cultura do Paraná, além da nomeação de uma gestora municipal e também funcionária estadual para uma cadeira destinada a sociedade civil, contando com o conluio da famigerada e capenga AVEC e dos demais agentes do atraso – gado indo votar na respectiva pessoa e ausência de debate.

  4. A atuação vacilante da Fundação Cultural de Curitiba em suas omissões frente ao incentivo à cultura no que se refere a ausência dos Editais do Fundo Municipal e do resultado do Mecenato Não-Iniciante. Além da falta de transparência na gestão, nos processos e no estimulo ao clientelismo dos pretensos e/ou consolidados artistas oficiais da cidade.

  5. O esvaziamento da política municipal de cinema de Curitiba, em especial nas ações da Cinemateca de Curitiba no que se refere a sua programação, política de acervo e documentação – ou pior, a ausência do que foi citado. O obscurantismo do NPD – Rede Olhares Brasil, uma verdadeira caixa preta destinada para alguns poucos privilegiados que suportam esse uso condenável de uma política pública como se fosse privada.

  6. A privatização da Pedreira Paulo Leminski, que benificiou mesmo grupo que já está pintando e bordando na coordenação técnica da CINETV, utilizando o espaço público do curso de cinema para realizar trabalhos de publicidade com o aval da atual Direção da FAPFAPFAP.

  7. O escantemaento do Projeto CINETVPR. O esvaziamento do curso de cinema, as políticas reacionárias da atual diretora da FAP, a tosca implementação da UNESPAR com uma eleição feita nas coxas e a apatia dos professores, discentes e técnicos frente a tudo isso.

  8. A Miséria Cultural, digo a Virada Cultual proposta pelo Governo do Estado do Paraná e pela Prefeitura de Curitiba com a grana do SESC. Lamentável.

  9. A indicação do Sergio Sá Leitão para a Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro, além do acúmulo deste cargo frente a Rio Filmes.

O que não fede e nem cheira:

  1. Os dois longa-metragens realizados na cidade de Curitiba e cujo o tema, vejam só!, é a própria cidade em uma perspectiva pós-oficialesca – Circular e Curitiba Zero Grau.

  2. O uso que o decrépito caderno cultural curitiboca, do jornal mais curitiboca e tacanho da cidade, vulgo Caderno G, faz das novas mídias. Os vlogs são tão toscos quanto a programação da ÓTV. O que salvou a Gazeta do Povo foram os seus blogs, que possuem mais opinião que as colunas de opinião dos jornalistas oficiais.

  3. O que sobrou das produções, dos acadêmicos e dos realizadores que ainda mantém o proselitismo ligado ao dito “cinema pós-industrial” e/ou “novíssimo cinema brasileiro”.

  4. A possível indicação do curta “A Fábrica” para o Oscar pelos seguintes motivos: não terá nenhuma repercussão no cenário local (Curitiba e Paraná) porque nessas regiões nada repercute; também não terá nenhuma repercussão no cenário nacional porque o filme não atende os cânones do cinema pós-industrial e/ou chatíssimo, digo novíssimo cinema brasileiro, além disso o diretor do filme não é da panela dos coronelzinhos que estão na Ancine.

  5. O curso de especialização em TV que a UP lançou e que conta com a “inteligência” local que coordena o “Casos e Causos” da RPC, uma proposta insossa que não chega aos pés do que é feito na RBS.

  6. A aprovação do Pró-Cultura e a indicação da Marta Suplicy frente ao MINC.