Cultura de Evento é Vento

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Obs.: estava trabalhando nesse texto que faz parte de uma coletânea sobre a Província Cultural do Paraná. A ideia era um manifesto contra a “roubada cultural”, assinado por mais gente, mas o processo se depurou no Facebook.

O Governo Beto Richa tem realizado uma série de atos descabidos contra a cultura paranaense. Depois de anunciar a absurda proposta de fusão das Secretarias de Cultura e Turismo, depois de diminuir a dotação da verba para a cultura em 2014, de 0,28% para 0,25% do orçamento do Estado do Paraná. Depois dessas duas pataquadas, testemunhamos outra por conta dos valores dos cachês da Virada Cultural.

O que dizer das políticas culturais do Estado do Paraná? O que dizer da diferença entre os cachês dos artistas locais e  nacionais, cuja a discrepância é de quase 40 vezes o valor do artista mais bem pago para com o mais mal pago? O que dizer da escalação de um conjunto musical, cujo um dos integrantes ocupa o cargo de Superintendente na Fundação Cultural de Curitiba? Qual a lógica disso tudo?

Uma madrugada de programação contra 364 sem programação. Essa parece ser a lógica. Para os amigos tudo, para os amigos a lei! Essa também parece ser a lógica! Propostas como a Virada Cultural não passam de vento, pois não qualificam ou estruturam as ações culturais no Paraná. Se a Virada Cultural ou Corrente Cultura são bancadas pelo poder público e destinada ao público, por quê as próximas edições não podem ser organizadas pela a própria classe artística, ou mesmo pelo público interessado através de enquentes e consultas de onde deve ocorrer o evento ou quais artistas devem participar? Por quê não podemos deixar de ser reféns de medidas arbitrárias, verticais e que só beneficiam alguns figurões em detrimento de toda uma variedade e potencialidade cultural paranaense que se encontra negligenciada pelo governo?

Eis as questões que os envolvidos devem responder a sociedade!