Zona Punk: Nuclear Metal Blood com Exylle, Blackened, Whipstriker e Apokalyptic Raids em CWB

28/07/2017 – AOCA – Curitiba/PR

Nuclear Metal Blood com Exylle, Blackened, Whipstriker e Apokalyptic Raids em CWB

No meio do perrengue político e econômico que o Brasil passa, as bandas cariocas Whipstriker e Apokalyptic Raids resolveram fazer uma turnê em território brasileiro passando por nove estados, cujo o deslocamento geográfico é maior que a Europa Ocidental: vieram de Natal até Curitiba.

Dessa maratona insana, consegui acompanhar o show na capital paranaense, que ocorreu na última sexta-feira (28) e contou com a abertura das locais Exylle e Blackened. A fachada verde do prédio histórico onde se localizado o AOCA, um bar de MPB, ficou bem diferente com a presença dos headbangers. Toda uma nova – e nem tão nova – geração se fez presente no GIG intitulado de “Nuclear Metal Blood”. O visual oitentista era notado, além da expressiva presença de mulheres. Na entrada, pulseiras coloridas separavam os menores de idade do resto e, ver gente nova em show de metal é um alento no momento geriátrico que o estilo vive.

A abertura fico por conta da Exylle, formada por um quarteto em disposição tática clássica para uma banda de death/thrash metal: um baixista/vocalista, acompanhado por um par de guitarras furiosas e um baterista de mão pesada. Desta noite, essa foi a banda que tinha um som mais “moderno”, influenciado por Hypocrisy e Death do início da década de 1990. Na sequência foi a vez do Blackened, adepto do mesmo tipo de formação mas com o diferencial que um dos guitarristas é vocal de apoio. A sonoridade é mais oitentista, notadamente inspirada em Nuclear Assault e Vio-lence. Além de ter uma pegada de punk, remetendo a bandas como DRI e English Dogs.

Mesmo com as boas performances das bandas de abertura, o público ainda estava tímido. O gelo foi quebrado nos primeiros acordes de “Crude Rock n’ Roll”, que iniciou o setlist da carioca Whipstriker, formando a primeira roda de pogo. Nesta empreitada o ex-trio contava com a participação de Hugo Golon, Cemitério, na segunda guitarra. Victor, o vocalista e baixista, saudou o público presente: “- a molecada que faz acontecer enquanto os velhos estão em casa dormindo”. Whipstriker, é uma banda quase decana, faz um metalpunk cru e direto, influenciado por Venom, Motorhead, Warfare e Bathory. Destaque pela performance de “Lucifer Set Me Free”, que arrebentou as cabeças no recinto.

O último show da noite ficou por conta da Apokalytic Raids, que subiu ao palco com o Jean da local Murdeath no baixo, fechando um trio no melhor estilo Hellhammer. A primeira pedrada foi a clássica “I’m a Metalhead”, que dava o clima da noite. Sem perder tempo, a banda detonou mais sete músicas encerrando com as clássicas “Apokalyptic Raids” e “Hellhammer”, deixando propositalmente uma microfonia de trincar os tímpanos do presentes. Diferente das demais bandas que pertencem a uma geração que homenageia os primórdios do metal extremo, a Apokalytic Raids é liderada por Necromaniac, uma das testemunhas vivas do nascimento da cena extrema brasileira e mundial. E se depender da galera que organizou e agitou o esquema desta noite, a cena extrema ainda tem muito o que apresentar.

Fonte: http://zonapunk.com.br/?m=reviews&t=3&id=1436