Zona Punk: Extreme Noise Terror em São Paulo

Fabrique – 01/11/2017 – São Paulo/SP

por frederico@sangue.tv

Se tem uma banda que fez do lema “in grind we crust” uma razão para a sua existência, e lá se vão mais de 30 anos, essa banda é o Extreme Noise Terror que desembarcou no último 1º de novembro, pela segunda vez no “Novo Mundo”, para uma rodada de shows.

Entretanto, na véspera das apresentações em terras brasileiras, a organização do rolê avisa sobre uma baixa: a ausência de Dean Jones, o principal vocalista e único membro da formação original, depois do falecimento de Phil Vane. Apesar da ausência de seu líder por questões de saúde, a banda preferiu fazer a turnê mesmo assim para não deixar o público brasileiro na mão pela segunda vez, haja visto o problema ocorrido no ano passado, que impediu a sua vinda.

Somado a isso, o local do show, o Clash, encerrou as atividades o que fez com que a apresentação fosse transferido para o Fabrique, localizado nas proximidades. Superado esses problemas, rotina de quem vive no underground e sabe que nada é fácil, São Paulo teve outro grande GIG (com letras maiúsculas) com ótimas bandas de abertura, das quais só consegui ver duas, o final do show do Expurgo e o Social Chaos, dado o horário que impediu um deslocamento em tempo hábil. Sobre a mineira Expurgo, que faz um grind numa pegada Napalm Death e Brutal Truth. Metranca do começo ao fim, sem dó e nem piedade.

Já o Social Chaos, o qual tive mais uma oportunidade de ver, contava com uma mudança de formação, Poodle na guitarra, que não trouxe nenhuma alteração na regular brutalidade musical desta banda, que fez um ótimo abre alas para o Extreme Noise Terror, grande referência no som deles. Os destaques são para as músicas “Escombros sobre Escombros” e “Herança Maldita”, a saideira, que teve uma ótima performance do vocalista Barella, gritando no meio do público, já que o baixo deu algum problema técnico.

Sobre ao palco um trio – Michael Hourihan na bateria, Andi Morris no baixo e Olli Jones na guitarra – para fazer os últimos ajustes para o show do E.N.T., desta vez em formato quarteto. O vocalista Ben McCrow, dá uma breve passada no palco, confere a altura do microfone com um berro e some. Um público razoavelmente grande e exibindo várias camisetas pretas de bandas extremas toma o recinto do Fabrique. A tela ao fundo do palco exibe o logo da banda. Os ajustes são feitos e se inicia o show com a primeira música. Um aglomero de celulares registram em foto e vídeo o quarteto e a ausência de Dean Jones no palco. Ben anuncia a segunda música, “Deceiver”, fala da ausência do Dean e saúda o público, e já nos primeiros riffs forma-se uma violenta roda de pogo na frente. Na sequência “Work For Never”, conhecida em terras brasileiras pelo cover feito no álbum “RDP ao Vivo” (1992). E a partir daí o aterrorizante barulho extremo contamina o recinto em um setlist curto pelo tempo e sem direito a tocar mais uma, mesmo com os inúmeros pedidos da plateia. Outros destaques são “Religion is Fear”, ‘False Profit”, a iconoclasta “Lame Brain” – dedicada ao Dean, e “No One Is Inocent” do último disco autointitulado da banda, lançado em 2015, e que aponta que o Extreme Noise Terror ainda tem muita estrada pela frente. Vida longa!

Fonte: http://zp.blog.br/?m=reviews&t=3&id=1459